sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

TEXTO: PEGA LADRÃO, PAPAI NOEL!





Pega ladrão, Papai Noel!

Ele não era bem um Papai Noel, pois trabalhava numa grande loja, a Emperor, aquela grande, da avenida. Consta, inclusive, que fez um curso de seis semanas para testar e aperfeiçoar sua tendência vocacional, obtendo boa nota. Mas seu visual, mesmo sem uniforma, impressionou favoravelmente a banca examinadora: era gordo, como convém a um Papai Noel; tinha olhos da cor do céu e a capacidade de sorrir durante horas inteiras sem nenhum motivo aparente. Aliás, um Papai Noel é isto: uma mancha vermelha que sabe rir e às vezes fala.
-          Você está ótimo! – disse-lhe o chefe da seção de brinquedos. – As crianças vão adorá-lo!
Era véspera de Natal e a loja andava preocupadíssima com as vendas, inferiores ao ano anterior. E preocupada com outra coisa, ainda: o incrível número de furtos, razão por que o Papai Noel além de sorrir e estimular as vendas teria que ser também um olheiro, um insuspeito fiscal de seção.
Ele passeava pelo atraente departamento de brinquedos eletrônicos, juntamente com seu sorriso, e acabara de passar a mão nos cabelos louros de um garotinho, quando viu. Viu o quê? Um homem, e mais que ele, sua mão surrupiando um trenzinho de pilha, imediatamente metido nua bolsa. Interrompendo em meio seu sorriso, Papai noel deu um passo firme, fez voz de vigia:
-          Por favor, me deixe ver essa bolsa!
Nem todo susto é paralisante: o homem, sem largar a bolsa, saiu em disparada pela seção de brinquedos, empurrando pessoas, chutando coisas, derrubando e pisando em brinquedos. Atrás desse furacão, seguia outro furacão, este encarnado, o Papai Noel, que repetia em cores mais vivas os desastres provocados pelo primeiro. A cena prosseguiu com mais dramaticidade e ruídos na escadaria da loja, pois a seção de brinquedos era no sexto andar. No quarto pavimento, Papai Noel chegou a grampear o ldrão pelo braço, mas este conseguiu escapar, livrando oito degraus entre o quarto e o segundo andares, Aí, novamente, Papai Noel pôs a mão enluvada no fugitivo, mas um grupo de pessoas que saía do elevador poluiu a imagem e ele tornou a ganhar distância.
Na avenida a perseguição teve novos aspectos e emoções. A pista era melhor para corridas, mas ainda maior o número de pessoas e obstáculos. O ladrão, logo à saída da loja, chocou-se com uma mulher que carregava mil pacotes, pacotinhos e pacotões. Foram todos para o chão. Um propagandista de longas pernas de pau fez uma aterrissagem forçada, que o aeroporto de congolhas teria desaconselhado devido ao mau tempo. O Papai Noel também empurrava, esbarrava e derrubava, aduzindo ao seu esforço o clássico “pega ladrão!”, um refrão tão comum na cidade que não entendo como ainda não musicaram. Na primeira esquina, quase... Um carro bloqueou a fuga do homem, que ficou hesitante enquanto seu colorido perseguidor se aproxima em alta velocidade.
Consta que Papai Noel perseguiu o ladrão inclusive no Minhocão, de ponta a ponta, onde é proibida a circulação de pedestres. Também sem resultado.
A história, que nem história é, podia acabar aqui, mas prefiro que acabe lá.
Lá, onde?
Naquela quarto de subúrbio.
Aquela noite, o ladrão, à meia-noite em ponto, deu para o filho o belo presente das lojas Emperor, o trenzinho de pilha, que tinha luzes diversas e até apitava, excessivamente incrementado para qualquer garoto pobre.
O menino, que sabia dos apuros do pai, não recebeu alegremente a maravilha eletrônica.
-Papai, o senhor não devia ter comprado.
- Mas não comprei.
- Ahn?
- Ganhei.
- De quem?
               - De Papai Noel, ora. Bom cara. Nem precisei pedir, Ele correu atrás de mim e me deu o presente. Disse que a pilha dura três meses. Legal, não?
 
















































01.  Enumere os fatos na ordem em que apareceram no texto:


A)   A fuga e a perseguição
B)   A entrega do presente
C)   A apresentação do Papai Noel
D)   A interferência do narrador
E)   O roubo e o flagrante

Resposta: A)3; B)5; C)1; D)4; E)2.


02.  “Ele não era bem um Papai Noel, pois trabalhava numa grande loja.”

Por essa passagem, entende-se que:


A)   Não existe Papai Noel de verdade.
B)   O verdadeiro Papai Noel não precisa trabalhar em lugar nenhum.
C)   Há muitas pessoas que se fazem passar pelo bom velhinho.
D)   As lojas enganam os seus compradores com falsos velhinhos.
E)   Nem todo Papai noel gosta do seu trabalho.  

Resposta: Letra B

03.  Observando o primeiro parágrafo, pode-se afirmar que um Papai Noel deve ter todas estas características, exceto:

A)   doçura no olhar
B)   sorriso constante
C)   aparência favorável
D)   voz forte e imponente
E)   vocação para o papel

Resposta: Letra D

04.  A relação causa-consequência se encontra incorreta em:

A)   A loja vendera pouco.
Contrataram o Papai Noel.

B)   Havia muitos furtos na loja.
O Papai Noel deveria fiscalizar os compradores.

C)   O Papai Noel viu um homem roubando um brinquedo.
O homem fugiu, levando o que roubara.

D)   Havia muitos obstáculos dentro e fora da loja.
Papai Noel não conseguia alcançar o ladrão.

E)   Papai Noel entendeu o motivo de o homem Ter roubado o trenzinho.
Papai Noel desistiu da perseguição.


            Resposta: Letra E


05.  Todos os motivos contribuíram para o insucesso do papai Noel, exceto:

A)   A localização da seção de brinquedos.
B)   O peso do próprio corpo.
C)   A agilidade do homem “ladrão”.
D)   O movimento de clientes dentro da loja.
E)   O trânsito confuso =nas avenidas por onde passaram.

Resposta: Letra B

06.  Relacione as ações às palavras:


PERSISTÊNCIA / AUTORITARISMO / AGILIDADE / CARINHO


A)            “- Por favor, me deixe ver essa bolsa!”

Resposta: autoritarismo

B)            “...acabara de passar a mão nos cabelos louros de um garotinho...”

Resposta: carinho

C)           “...Aí, novamente Papai noel pôs a mão enluvada no fugitivo...”

Resposta: persistência

D)           “...  o homem, sem largar a bolsa, saiu em disparada pela seção de
brinquedos...”

Resposta: agilidade


07.  Observe:


“O menino, que sabia dos apuros do pai, não recebeu alegremente a maravilha eletrônica.”


O menino não ficou satisfeito porque:

A)   Não gostava desse tipo de brinquedo.
B)   Esperava ganhar outro brinquedo mais emocionente.
C)   Tinha consciência da situação financeira do pai.
D)   Sabia da inexistência do Papai Noel e do presente.
E)   Não saia como manejar o brinquedo.

Resposta: Letra C

08.  Complete:

O ladrão considerou que Papai Noel lhe deu o presente porque:

      Resposta: não conseguiu alcançá-lo e então o presente ficou para ele.


09.  Leia:
Caixa de texto:

Menina diz que nunca teve brinquedo

A menina Maria dos Reis gomes da silva, 12, diz que nunca viu televisão. O povoado de formiga, distrito a 18 Km de Antônio Almeida (PI), onde Maria mora, não tem nem energia elétrica. A menina, magra e pequena 9ela não sabe quanto pesa e quanto mede), diz que nunca teve um brinquedo, nem mesmo uma boneca. Ela afirma não Ter muito tempo para isso.
Maria fica em casa cudando dos sete irmãos menores, enquanto o pai e a mãe passam o dia fora, na busca de alimento ou emprego temporário.
A “casa” da família é uma cabana com paredes e teto feitos com palha de coqueiro. O piso é de chão batido e não tem banheiro. Não existem camas e todos dormem em redes.

(Paulo Mota)

Folha de São Paulo, 03/10/93



Infelizmente, há muitas “Marias” no nosso país. Crie uma propaganda que incentive a doação de brinquedos às crianças carentes no Natal:

                       
      Resposta: Pessoal do aluno.

Um comentário:

  1. oobbrriiiiiiiiggggggggggaaaaddddddddddoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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